(Esse é um conto erótico com os personagens Park e Jet, da série The Wicked Game. Prossiga ciente disso)
Mesmo que Park não tivesse passado o dia todo ao lado de Jet, bastaria olhar o seu rosto para saber que ele estava frustrado, furioso e pronto para descontar esses sentimentos em qualquer um que cruzasse seu caminho. Não, ele não precisava nem olhar o rosto do chefe: o modo como Jet cruzou o jardim, com passos rápidos e duros, já lhe dizia tudo. A conversa com o pai tinha sido… desagradável.
Park, que caminhava logo atrás de Jet, adiantou-se e abriu a porta da casa. Inclinou respeitosamente a cabeça quando o patrão passou por si e entrou em seguida. Dois homens já esperavam no hall de entrada com notícias ainda mais frustrantes.
– Vocês são completos inúteis!, gritava Jet quase ficando sem voz.
Os homens estavam encolhidos no chão, sob chutes e gritos. Obviamente poderiam neutralizar o jovem que, apesar de forte, estava praticamente histérico, tomado pela raiva, mas sabiam que era melhor apenas aguentar servir de alívio da ira dele por um momento.
– Não conseguem nem se livrar do filho de uma amante!
Park, o assistente, ciente de que seria uma péssima ideia interromper, até ali apenas observava. Minutos depois, o chefe, cansado de chutar e esbravejar, parou um pouco para tomar fôlego. Aproveitando a breve pausa, Park mandou os dois homens se retirarem, o que fizeram rapidamente e com alívio. Deu três passos até estar bem perto do patrão, que apenas lhe disse:
– Uísque.
E, tocando de leve no cotovelo de Park, passou por ele e sentou-se no grande sofá de couro marrom da sala de estar.
O assistente foi até o bar, pegou a bebida e a serviu num copo com gelo. Enquanto cruzava novamente o cômodo em direção ao sofá, observava Jet sentado, com as pernas abertas e os braços sobre o espaldar, a cabeça totalmente jogada para trás, ainda bufando. Esse garoto mimado precisa relaxar, pensou. Mas disse apenas:
– Sua bebida, senhor Jet.
Jet pegou o copo, bebeu de um gole só e ergueu os olhos vermelhos para Park, que permanecia de pé ao seu lado, devolvendo-lhe o copo. Depois, olhando para algum ponto do outro lado da sala e falando mais para si mesmo do que com o assistente, reclamava sua posição, sua herança, os direitos que aquele bastardo tentava usurpar. Permaneceu assim por um tempo, até ser interrompido por um suspiro profundo e irritado de Park. Jet olhou novamente para cima, bem nos olhos de Park, pronto para voltar à carga. Mas antes que pudesse continuar falando do pai, dos irmãos, dos capangas inúteis ou mesmo da audácia do secretário, ele ouviu:
– Você precisa que eu cuide de você, meu rapaz?
A voz de Park tinha passado de gentil e solícita para firme e dominadora. Jet era apenas um par de anos mais novo que o assistente, mas aquele “meu rapaz” sempre operava nele uma mudança profunda. Os olhos foram perdendo a vermelhidão, as veias saltadas na testa voltaram ao lugar, os lábios crispados esboçaram um meio sorriso e o corpo começou a relaxar. Tudo isso naqueles breves segundos em que os dois olhavam para o rosto um do outro.
– Sim, senhor, respondeu, empolgado. Eu preciso que o senhor cuide de mim.
O olhar mostrava excitação e alegria. O tom da voz era suave. A postura, submissa.
Park deu as costas a Jet, foi até a escada que levava ao andar superior. Como ele ainda não havia levantado do sofá, disse:
– Então, venha. Você sabe que eu não sou paciente.
Jet levantou-se com um pulo – já não restava nada da pose de garoto mimado e autoritário que ele costumava exibir – e rapidamente obedeceu. Foi até Park e segurou na barra do paletó do assistente, que acenou com a cabeça e subiu na frente, seguido por um jovem mestre muito manso e sorridente.
No alto da escada, a porta do quarto. Somente Park sabia aquela senha. Aquela porta era a passagem para uma fantasia, um conto, uma imaginação. Ou seria a porta para a realidade e tudo o mais é que era um fingimento? O apito baixo da fechadura avisou que a passagem estava liberada. Uma luz fraca, difusa, se acendeu. Realidade e fantasia se misturaram mais uma vez…
***
Ajoelhe-se. O joelho se encontrou com o chão, a mão com o zíper e o olhar de Jet com o de Park. Posso? Deve. A mão se encontrou com o pau. A boca se encontrou com o pau. E as lágrimas brotaram quando a glande se encontrou com a úvula. Muito bem, meu rapaz. Os dedos se enroscaram nos cabelos - um puxão. Jet aproveitou para respirar fundo, olhando pro rosto de Park, acima. Lágrimas, suor, saliva. A mão empurrou a cabeça novamente e a boca se abriu para novo encontro com o pau. O tempo se dilatou e se contraiu. A calça já estava ficando ensopada de muitos fluidos diferentes. Levante! Levantou, os olhos vermelhos agora revelando outras sensações. Tire toda a roupa. Devagar, botões foram se abrindo e as roupas foram se acumulando no chão do quarto. A cueca foi parar no peito de Park, que olhava e sorria, aprovando o quão comportado seu rapaz era naquele quarto. Imponente, o peito arfava, brilhando com o suor. O pau apontava pro alto. A boca sorria. E o corpo inteiro aguardava a próxima ordem. Ainda completamente vestido, Park o puxou pela mão e, sentando-se na poltrona grande, aproximou bem o rosto da virilha de Jet. Você quer isso? Sim. Peça. Por favor… Antes de terminar a frase, o pau inteiro já estava dentro da boca de Park. As mãos para trás, o peito estufado e as pernas quase não aguentando. Cada músculo de Jet reagindo ao toque do seu dono. E o orgasmo veio intenso. Olha a bagunça que você fez. As bocas se encontraram. As línguas também. E foi com a língua que o rapaz limpou a bagunça. Dos lábios, do rosto, do pescoço de Park. Desculpe. Outro beijo. Longo, forte, quase agressivo. Está quente aqui. Não havia necessidade de explicar. Jet tirou as peças de roupa de Park, dobrou-as delicadamente e as colocou na mesa lateral. Está pronto? Já se acalmou? O rapaz assentiu. Um movimento rápido e ele já estava sobre os ombros do secretário. Um segundo depois, jogado de costas sobre o colchão. Park se ajoelhou na cama, entre as pernas abertas de Jet. Sem pressa, conduziu a boca por um passeio pelo corpo de seu rapaz. Boca, tórax, mamilos, barriga. Deixou pequenas marcas de sua passagem. Lembretes que diziam a quem aquele corpo pertencia. O corpo reagia se contorcendo, se contraindo, relaxando, endurecendo. A língua encontrou o cu. Era uma ordem semi silenciosa para que Jet relaxasse. E ele, como sempre fazia naquele quarto, obedeceu. Com a dorsal apoiada na cama e a bunda sustentada no alto pelas mãos de Park, Jet deixou os braços caírem, relaxou os músculos e se permitiu, mais uma vez, dominar. Gemia sem se reprimir. O beijo continuava. A língua abria passagem pelo cu. Estava molhado, escorregadio e alegre em ser penetrado. De bruços! Park se curvou sobre Jet, chegou perto do seu ouvido. Você tem sido um bom rapaz. Com uma mão, segurou os braços de Jet acima da cabeça, com o joelho, afastou as duas pernas e com a outra mão, guiou seu pau para dentro do chefe. Devagar, mas firmemente. Até se sentir aceito. Começou a movimentar o quadril com mais intensidade. Os corpos deitados um sobre o outro, praticamente se tornando um só. E assim, sem mudar de posição, sem dar descanso para o seu rapaz, gozou…
***
Ambos se jogaram na cama. Jet se aninhava entre o braço e o corpo de Park, a cabeça apoiada sobre o seu peito. Ele parecia tranquilo, a não ser por um movimento um tanto nervoso do pé esquerdo. Park sabia o que era, mas perguntou:
– O que houve, meu rapaz?
– Eu… Queria ir de novo. Foi tão rápido!
– Você sabe que aqui eu que mando.
– P’ Park, por favor…
– Então pede com jeitinho.
– P’ Park, me come de novo, por favor?